Hoje Portugal foi muito mais equipa do que a Holanda, contou com um Ronaldo a fazer o que melhor sabe e já está! O regresso aos quartos-de-final de um Europeu é um facto, depois de 1984, 1996, 2000, 2004 e 2008. Ou seja, sempre que participamos em fases finais. Enfim, Portugal dá-se bem com os Europeus de Futebol!
Claro que o que mais importava hoje era passar esta fase, mas foi igualmente importante perceber que a equipa está a crescer, mesmo sabendo que não foi inferior à Alemanha no primeiro jogo da prova e que bateu a Dinamarca com todo o mérito, mesmo não deslumbrando.
Disse após o jogo com a Dinamarca que tinha receio de não chegar a ver este Portugal afirmar-se como uma grande equipa neste Europeu. Mas hoje já se viu uma equipa na verdadeira acepção do termo: à entrega e garra demonstradas desde o primeiro minuto do jogo com a Alemanha, a Selecção juntou, frente aos holandeses, a capacidade de ser consistente, de controlar os ritmos de jogo, de ser um colectivo mais forte e equilibrado do que o seu adversário. E, claro, com um goleador (não precisa de ser um avançado-centro, continuo a dizer) a jogar por nós fica mais fácil, tal como CR7 provou mais uma vez.
Mas é bom que não se entre em euforias depois desta vitória. Até porque bater uma Holanda semi-destroçada como esta não é o mesmo que vencer uma Holanda "normal", que é vice-campeã do mundo. A selecção laranja foi sempre uma equipa desequilibrada, mesmo "partida", sem meio-campo, permitindo aos extremos portugueses incontáveis situações de um para um, bem como eles gostam.
Agora, vem aí a Rep. Checa e veremos se temos, ou não, uma grande equipa. Se assim for, serão mantidos os níveis de concentração, de consistência, de equilíbrio colectivo. Este jogo dos quartos é,. na minha opinião, extremamente perigoso - tudo isto faz-me lembrar o Euro96, no qual estive presente. O favoritismo resultante da fantástica primeira fase (três vitórias) então realizada foi-nos fatal, perante uns checos coesos, pouco brilhantes mas unidos e espertos. Perante a adversidade, não conseguimos manter a concentração e o equilíbrio, e saímos da prova com o sabor amargo de uma grande oportunidade histórica desperdiçada.
O melhor será, portanto, manter a cabeça fria e respeitar o adversário como se de uma Espanha se tratasse. E, acima de tudo, ter a noção de que se num dia bom esta Selecção pode ganhar a qualquer equipa, tem que ter a capacidade de poder vencer mesmo nos dias maus. É isso que fazem as grandes equipas.

Nenhum comentário:
Postar um comentário